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Busca por resultados naturais impulsiona nova fase dos procedimentos de rejuvenescimento facial

Segundo o cirurgião plástico Vidal Guerreiro, mestre em Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, essa transformação já é perceptível entre os pacientes que chegam ao consultório.

23/08/2026 às 13h15
Por: Redação Fonte: Da Redação
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Busca por resultados naturais impulsiona nova fase dos procedimentos de rejuvenescimento facial

Lábios excessivamente volumosos, maçãs do rosto muito marcadas e feições que, em alguns casos, acabam se tornando semelhantes entre diferentes pessoas começam a dar lugar a uma nova tendência nos consultórios de estética e cirurgia plástica. O objetivo, agora, é rejuvenescer de maneira mais discreta, sem deixar evidente que houve uma intervenção.

Depois de um período marcado pela expansão dos preenchimentos faciais e da chamada harmonização facial, cresce a procura por resultados mais naturais, com menor acréscimo de volume e maior valorização das características individuais de cada paciente.

Dados recentes ajudam a mostrar essa mudança de comportamento. A pesquisa nacional Padrões de Beleza e Bem-Estar 2026, realizada pelo Opinion Box com 1.275 entrevistados, apontou que 30% dos brasileiros já se submeteram a procedimentos estéticos permanentes ou de longa duração. Entre essas pessoas, 69% disseram buscar principalmente a redução dos sinais do envelhecimento.

Paralelamente, procedimentos cirúrgicos voltados ao rejuvenescimento da face também ganharam força no país. Números da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) indicam que a quantidade de facelifts realizados no Brasil saltou de 68.013, em 2020, para 121.494, em 2024. A alta foi de aproximadamente 78,6% no período de quatro anos.

A mudança acompanha um movimento que vem sendo chamado por especialistas de “era do indetectável”. O conceito está relacionado à busca por intervenções capazes de proporcionar uma aparência mais jovem e descansada sem alterar de forma acentuada os traços que caracterizam cada pessoa.

Segundo o cirurgião plástico Vidal Guerreiro, mestre em Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, essa transformação já é perceptível entre os pacientes que chegam ao consultório.

“Tenho recebido pacientes que não chegam mais dizendo: ‘quero aumentar isso ou preencher aquilo’. Algumas chegam justamente com a sensação contrária. Dizem: ‘Doutor, olho uma foto minha de alguns anos atrás e sinto que perdi os meus traços’. É uma conversa muito diferente, porque o desejo não é ter outro rosto. É voltar a enxergar o próprio rosto com mais leveza”, explica.

A mudança de preferência, entretanto, não significa que preenchimentos e outros tratamentos minimamente invasivos tenham perdido sua função. De acordo com o especialista, esses procedimentos continuam tendo indicações específicas. A questão está no uso repetitivo da adição de volume para tentar corrigir alterações que nem sempre são provocadas pela perda de volume facial.

“Imagine uma paciente cuja principal mudança ao longo dos anos foi a queda dos tecidos da face. Se a cada vez que ela percebe essa queda nós simplesmente acrescentarmos mais produto, podemos aumentar o volume sem necessariamente corrigir aquilo que a incomoda. Em alguns casos, chega um momento em que é preciso parar, olhar o rosto como um todo e perguntar: o que realmente está acontecendo aqui?”, exemplifica Vidal.

Nesse contexto, cirurgias como o facelift voltam a ocupar espaço entre as alternativas para o rejuvenescimento. Enquanto alguns tratamentos atuam principalmente por meio da reposição de volume, técnicas cirúrgicas modernas de lifting buscam reposicionar os tecidos faciais que sofreram alterações ao longo do processo de envelhecimento.

Entre as abordagens utilizadas estão técnicas realizadas em planos mais profundos, como o deep plane facelift, que permite atuar sobre estruturas da face que se deslocaram com o passar dos anos.

Para o cirurgião plástico, contudo, o crescimento da procura por procedimentos cirúrgicos não representa uma substituição dos tratamentos menos invasivos. Na avaliação do especialista, as diferentes técnicas são complementares e devem ser escolhidas de acordo com as necessidades de cada paciente.

“Eu não acredito numa guerra entre cirurgia, preenchimento, toxina botulínica ou tecnologia. Há pacientes que precisam de muito pouco e não têm indicação cirúrgica alguma. Há outros em que continuar adicionando produto já não faz sentido. A boa indicação é justamente saber quando fazer, quanto fazer e, principalmente, quando não fazer”, afirma.

Pacientes que apresentam excesso de preenchimento com ácido hialurônico também podem precisar de uma avaliação específica. Dependendo do caso, exames de imagem podem ajudar a identificar a presença e a localização do produto. A hialuronidase, substância utilizada para degradar o ácido hialurônico, pode ser indicada em determinadas situações. A conduta, porém, deve ser definida individualmente por um profissional habilitado.

Para Vidal, uma das principais transformações observadas atualmente está justamente na expectativa de quem procura um tratamento estético. Se, em outros momentos, mudanças mais perceptíveis chegaram a ser desejadas, hoje um número crescente de pacientes demonstra preocupação em preservar a própria identidade.

“Naturalidade não significa sair de uma cirurgia ou de um tratamento exatamente como entrou. Tem que existir uma melhora, senão não faria sentido. Mas o resultado que considero mais bonito é aquele em que a pessoa ouve: ‘Você está ótima, descansada, diferente’, e não: ‘O que você fez no rosto?’. Quando preservamos a identidade, o procedimento não vira protagonista. O protagonista continua sendo o paciente”, conclui.

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