
O uso do Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida, passou a fazer parte de um capítulo inesperado na vida da estudante de Odontologia Macxa Gonçalves, de 35 anos, moradora de Várzea Grande. Depois de aproximadamente um ano utilizando a chamada “caneta emagrecedora” e de enfrentar por anos a endometriose, ela descobriu que estava grávida.
A gestação veio 12 anos depois do nascimento da primeira filha, Maria Alice. Atualmente com cinco meses de gravidez, Macxa espera um menino, que se chamará Lorenzo
“Eu estava usando Mounjaro havia cerca de um ano e perdi aproximadamente 16 kg . Depois veio a surpresa: descobri que estava grávida”, conta.
Segundo a estudante, durante o acompanhamento da gestação, surgiu a hipótese de que as alterações provocadas pelo tratamento e pela perda de peso possam ter contribuído para uma melhora do quadro de endometriose. A doença pode comprometer a fertilidade e atingir órgãos da região pélvica, como ovários, trompas e intestino.
“Eu já lutava contra a endometriose havia anos. Meu médico falou sobre a possibilidade de o Mounjaro ter contribuído para a melhora da doença, e pouco tempo depois veio essa gravidez, que eu realmente não esperava”, relata Macxa.
Apesar da experiência vivida pela estudante, ainda não é possível afirmar que o Mounjaro seja responsável por curar a endometriose ou provocar uma gravidez. A relação entre medicamentos como a tirzepatida, perda de peso, fertilidade e saúde reprodutiva feminina ainda é alvo de estudos.
Um dos pontos que chamam a atenção dos especialistas é justamente a possível interferência desse tipo de medicamento na eficácia de anticoncepcionais orais.
Medicamentos injetáveis utilizados para perda de peso, como a tirzepatida, atuam imitando hormônios relacionados ao controle do apetite e da glicose, entre eles o GLP-1. Um dos efeitos da medicação é retardar o esvaziamento do estômago.
Esse mecanismo pode provocar efeitos gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia, e também interferir na absorção de alguns medicamentos administrados por via oral.
O fisiologista Simon Cork já alertou que essa alteração na digestão pode afetar a absorção de medicamentos, incluindo anticoncepcionais orais, principalmente em determinadas fases do tratamento.
No caso da tirzepatida, há orientação para atenção especial à contracepção oral após o início do uso do medicamento e durante mudanças de dose, justamente porque a absorção do anticoncepcional pode ser reduzida.
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