
As agências bancárias de Cuiabá e Várzea Grande amanheceram com as portas fechadas nesta quinta-feira (20). Funcionários de instituições públicas e privadas cruzaram os braços por 24 horas, aderindo a uma mobilização nacional da categoria em busca de reajuste salarial e melhores condições de trabalho.
De acordo com o Sindicato dos Bancários de Mato Grosso, a mobilização no centro da capital concentra trabalhadores em frente a uma unidade do Bradesco. Antes da paralisação total das atividades nas agências afetadas, a entidade realizou um trabalho de panfletagem em toda a região metropolitana.
Impasse nas negociações
A paralisação ocorre após a rejeição massiva da proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Em assembleia virtual realizada na última segunda-feira (17), mais de 97% dos bancários mato-grossenses votaram contra a oferta patronal.
O impasse se acirrou após a oitava rodada de negociações da Campanha Nacional Unificada, na terça-feira (18), que terminou sem consenso. Segundo o sindicato, os bancos evitaram fixar um índice de reajuste e apresentaram propostas consideradas insatisfatórias, como o congelamento do piso para recém-contratados e reajustes fragmentados em três faixas de renda. Uma nova reunião entre os representantes laborais e os bancos foi agendada para a próxima segunda-feira (24).
Pauta de reivindicações e lucros do setor
A pauta do movimento inclui ganho real nos salários, valorização dos pisos e dos vales-refeição e alimentação, aprimoramento na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e a instituição de um piso específico para os profissionais de Tecnologia da Informação (TI).
Para fundamentar as cobranças, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) destacou os números robustos do setor. Em 2025, o patrimônio líquido das instituições financeiras atingiu a marca de R$ 1,2 trilhão, enquanto o lucro anual gerado por empregado somou R$ 438 mil.
A categoria também critica a queda na fatia dos lucros repassada aos empregados. Dados da entidade mostram que, em 1995, os bancos privados chegavam a distribuir até 14% do lucro em PLR, ao passo que a média registrada em 2025 despencou para 5,9%.
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