
O município de Querência (MT) vive uma expansão acelerada, impulsionada pelo agronegócio, com mais de 440 mil hectares cultivados com soja e 330 mil hectares com milho. Com a população saltando de 10 mil para 31 mil habitantes em uma década, é o município que mais cresceu proporcionalmente no estado e o sexto que mais cresceu no Brasil.
No epicentro desse progresso está o engenheiro florestal Rodrigo Gomes Vieira, secretário de Agricultura e Meio Ambiente, que lidera os esforços para alinhar desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
Segundo Rodrigo, o crescimento vertiginoso exige que a administração pública abandone o imediatismo e foque no futuro. Um catalisador desse salto é a chegada da usina de etanol FS Energia, que trará milhares de trabalhadores e exigirá adaptações no Plano Diretor.
“Quando eu entrei na secretaria, falava muito sobre não ficar apenas ‘apagando fogo’. Vamos realmente fazer um planejamento de longo prazo, porque o município está crescendo”, afirma Vieira. “Teremos que começar a organizar atividades que, muitas vezes, não estavam nem no que já havia sido planejado.”
Rodrigo explica que o impacto será profundo: a usina fomentará indústrias paralelas, a exemplo da pecuária, que será impulsionada pela produção de grãos secos de destilaria (DDG).
Apesar da riqueza agropecuária, a gestão de Rodrigo precisa lidar com graves problemas: Querência está entre as cidades brasileiras que mais desmataram.
“Nós temos uma problemática muito grande: os embargos ambientais. Eles atrapalham a economia, porque uma área embargada tem dificuldade para vender o grão e ter acesso a crédito”, lamenta o secretário.
Para mudar essa imagem, Vieira iniciou uma “engenharia reversa” focada na regularização ambiental, especialmente de cinco assentamentos rurais que somam 23 mil hectares embargados, mas que são áreas consolidadas. Já o passivo de reserva legal é de aproximadamente 34 mil hectares.
A grande aposta de Rodrigo para engajar os pequenos produtores no reflorestamento é aliar preservação e lucro. Em parceria com instituições, a secretaria incentiva os Sistemas Agroflorestais (SAFs), associando a recuperação ambiental a culturas de alto valor, como cacau, café e eucalipto.
“Qualquer lei ou trabalho ambiental só será aplicado se for economicamente viável. Se o produtor não obtiver receita, ele não fará esforço para preservar”, afirma Rodrigo Vieira. “Precisamos propor arranjos para que recuperem a área degradada, tornando isso lucrativo.”
Ao final, Rodrigo Gomes Vieira resume sua rotina lidando com a dualidade de um polo rico do agronegócio: a riqueza caminha lado a lado com gargalos de infraestrutura, passivos ambientais e desigualdades. Sob sua liderança ambiental, o foco é resolver esses gargalos para garantir que o desenvolvimento pujante de Querência deixe raízes sólidas e sustentáveis para as próximas gerações.


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