
O planejamento adequado das instalações, a produção em lotes e a adoção rigorosa do vazio sanitário foram os eixos centrais da palestra ministrada pelo analista da Embrapa Suínos e Aves, Armando Lopes do Amaral, durante o 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso. O evento, de grande relevância para o setor, foi promovido pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).
Durante sua apresentação, o especialista enfatizou que a organização estrutural e de manejo da granja representa um dos pilares fundamentais para sustentar elevados padrões de sanidade e, consequentemente, assegurar melhores índices produtivos no campo.
Segundo o analista da Embrapa, uma infraestrutura bem planejada atua diretamente no fortalecimento da biosseguridade — o conjunto estratégico de medidas voltadas para impedir a entrada de agentes infecciosos e minimizar a circulação de doenças no interior das propriedades. "A instalação é a base de um bom programa sanitário.
O ideal é que a granja seja cercada, bem isolada, com controle rigoroso da entrada de pessoas e que as diferentes fases de produção sejam organizadas em salas específicas. Além disso, é importante manter animais da mesma idade juntos, evitando que animais mais velhos transmitam doenças aos mais jovens", pontuou Amaral. O pesquisador também ponderou que, embora o Brasil ostente um patamar sanitário de excelência reconhecido internacionalmente, a manutenção desse status exige vigilância ininterrupta por parte dos produtores, já que animais saudáveis apresentam melhor desempenho, maior ganho de peso e resultados econômicos superiores.
Reconhecendo que grande parte das granjas mais tradicionais esbarra em limitações estruturais e custos elevados para reformas completas, o especialista destacou que o manejo inteligente é um forte aliado na mitigação de riscos sanitários.
Entre as principais recomendações práticas estão a produção em lotes, organizando grupos de matrizes e leitões para que permaneçam juntos durante cada fase produtiva, respeitando o sistema "todos dentro, todos fora". Essa estratégia facilita a realização do vazio sanitário entre os lotes, permitindo a limpeza profunda, desinfecção e quebra do ciclo de transmissão de agentes causadores de doenças.
"Nem sempre é possível construir novas instalações imediatamente. Mas, mesmo em estruturas existentes, o produtor pode organizar os animais em lotes, manter grupos da mesma idade nas mesmas salas e realizar o vazio sanitário sempre que possível. São medidas que contribuem muito para preservar a sanidade do rebanho", concluiu.
Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, a participação de pesquisadores de referência da Embrapa no simpósio valida o propósito da entidade em difundir conhecimento técnico de ponta para o desenvolvimento da suinocultura mato-grossense. "A sanidade é um dos maiores patrimônios da suinocultura brasileira e precisa ser preservada diariamente dentro das granjas.
Trazer esse debate para o Simpósio permite que nossos produtores tenham acesso às melhores práticas e entendam que, muitas vezes, melhorias no manejo, no planejamento da produção em lotes e no cumprimento do vazio sanitário geram ganhos expressivos em produtividade e competitividade. A Acrismat trabalha justamente para aproximar o produtor dessas informações e fortalecer cada vez mais a cadeia produtiva em Mato Grosso", declarou Frederico Tannure Filho.
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