Terça, 01 de Setembro de 2026
25°C 36°C
Cuiabá, MT
Publicidade

O Tempo Reconfigurado

chegar, de vencer, de cumprir etapas. O futuro deixa de ser uma ansiedade permanente e o presente, enfim, ganha nitidez. Passamos a habitá-lo, não apenas a atravessá-lo.

29/08/2026 às 10h00 Atualizada em 29/08/2026 às 11h00
Por: Redação Fonte: Da Redação
Compartilhe:
O Tempo Reconfigurado

Marcelo Augusto Portocarrero

 “A partir de certo tempo a idade não é um ônus, é, sim, um bônus.”

Essa máxima nos convida a rever o pacto que a sociedade ocidental fez com o tempo. Aprendemos a contar os anos como quem conta perdas. O envelhecimento foi narrado como declínio, como o acúmulo de um peso inevitável. Mas existe um ponto de inflexão na existência em que essa aritmética se inverte.

Esse “certo tempo” não mora no calendário. Não corresponde a uma idade exata ou a um sinal no corpo. Ele nasce de uma virada interior, silenciosa e definitiva. É o instante em que o que foi vivido deixa de pesar sobre os ombros e passa a pavimentar o chão sob os pés. É quando a busca aflita por aprovação se aquieta e dá lugar a um acolhimento mais honesto de quem se é.A partir daí, o tempo muda de textura. Situações que antes nos roubavam o sono e nos lançavam em crises desmedidas passam a ser vistas com a serenidade de quem já assistiu a esse filme. Aprendemos a escolher, não por indiferença, mas por lucidez, quais batalhas merecem nossa energia. No mesmo movimento, as relações se destilam. A necessidade de quantidade, de agradar a todos e de manter vínculos por obrigação social vai se desfazendo, e fica o essencial: a liberdade de cultivar apenas os afetos recíprocos, aqueles que nos reconhecem e nos sustentam.

E talvez o maior bônus esteja na relação com o próprio tempo. Libertamo-nos dos cronogramas rígidos que a juventude nos impõe, da pressa de chegar, de vencer, de cumprir etapas. O futuro deixa de ser uma ansiedade permanente e o presente, enfim, ganha nitidez. Passamos a habitá-lo, não apenas a atravessá-lo.

Ver a idade como bônus não é negar as limitações que o corpo impõe, nem romantizar o passar dos anos. É compreender que a bagagem que carregamos, feita de sabedoria, de cicatrizes transformadas em aprendizado e de uma clareza maior de propósito, pesa infinitamente menos que as incertezas que nos afligiam quando éramos jovens.

A maturidade, portanto, não é o fim da linha. É o começo do usufruto. É o saldo positivo de uma conta que passamos a vida inteira pagando. Quando abraçamos essa perspectiva, cada ano a mais deixa de ser um peso que se acrescenta e passa a ser um prêmio que a vida nos concede.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Sem foto
Sobre o blog/coluna
Caderno de Opinião
Ver notícias
Cuiabá, MT
30°
Tempo limpo

Mín. 25° Máx. 36°

31° Sensação
3.6km/h Vento
48% Umidade
0% (0mm) Chance de chuva
06h50 Nascer do sol
18h38 Pôr do sol
Qua 40° 21°
Qui 43° 25°
Sex 43° 29°
Sáb 42° 28°
Dom 37° 25°
Atualizado às 00h01
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,18 +0,00%
Euro
R$ 6,02 +0,00%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 433,066,40 -0,03%
Ibovespa
177,418,78 pts 1%
Publicidade