
Entre notas, ensaios e instrumentos, o Instituto Ciranda constrói algo que vai muito além da formação musical. Em seus quatro polos, instalados em diferentes cidades, a música se transforma em instrumento de cidadania, convivência, acolhimento e criação de novas perspectivas para crianças, adolescentes e jovens.
A proposta parte de um princípio simples, mas abrangente: ensinar música também significa contribuir para a formação humana. Por isso, além das atividades musicais, o Instituto desenvolve ações voltadas ao fortalecimento da autonomia, da autoestima, da responsabilidade e dos vínculos sociais e familiares.
Nesse trabalho, a equipe psicossocial ocupa papel estratégico. Atualmente, ela é formada pelas psicólogas Giselle Queiroz e Cinthia Mattos e pela assistente social Lara Simone. As profissionais atuam de maneira integrada, acompanhando situações que envolvem os participantes, suas famílias e os diferentes contextos sociais nos quais estão inseridos.
Um olhar que ultrapassa a sala de aula
Para a psicóloga Giselle Queiroz, cada aluno que chega ao Instituto carrega muito mais do que o desejo de aprender um instrumento. Traz consigo experiências, sentimentos, dificuldades, sonhos e uma história construída dentro de determinado contexto familiar e social.
“Quando recebemos uma criança, um adolescente ou um jovem, não estamos recebendo apenas um aluno de música. Estamos recebendo uma pessoa com uma história, sentimentos, sonhos, dificuldades e uma realidade familiar e social que precisa ser considerada”, destaca.
Esse olhar ampliado permite identificar questões que nem sempre aparecem durante uma aula ou um ensaio. A música pode ser o primeiro elo, mas o desenvolvimento dos participantes envolve aspectos emocionais, familiares e sociais que também precisam ser observados.
“A música é uma ferramenta extraordinária de transformação, mas entendemos que o desenvolvimento acontece de maneira integral. Precisamos olhar para as relações familiares, para as questões emocionais, para o contexto social e para os desafios enfrentados no cotidiano”, explica Giselle.
A atuação psicossocial inclui escuta, acolhimento, orientação e, quando necessário, articulação com serviços da rede de proteção social. Segundo a psicóloga, a presença de profissionais preparados contribui para que situações de vulnerabilidade ou necessidade de acompanhamento sejam percebidas com mais atenção.
“Muitas vezes, uma situação que parece pequena pode sinalizar algo maior. Ter profissionais preparados para perceber essas questões e trabalhar junto à equipe faz toda a diferença”, afirma.
Psicologia e Serviço Social lado a lado
A integração entre Psicologia e Serviço Social amplia a capacidade de acompanhamento oferecida pelo Instituto. Enquanto a Psicologia observa aspectos relacionados ao desenvolvimento emocional, às relações interpessoais e às necessidades psicológicas, o Serviço Social considera as condições familiares, sociais e comunitárias que fazem parte da realidade de cada participante.
Quando necessário, também são realizados encaminhamentos e articulações com serviços públicos e instituições da rede de proteção.
Para Giselle, essa atuação interdisciplinar é um dos pontos fortes do trabalho.
“Psicologia e Serviço Social possuem olhares diferentes, mas complementares. Quando unimos esses conhecimentos, conseguimos compreender de forma mais ampla a realidade do aluno e de sua família. Isso fortalece o trabalho e o atendimento que oferecemos”, ressalta.
Pertencer também faz parte do aprendizado
No Instituto Ciranda, aprender música também significa aprender a conviver. Ensaios coletivos, apresentações e atividades em grupo estimulam disciplina, responsabilidade, criatividade, cooperação e respeito às diferenças.
Nesse ambiente, o sentimento de pertencimento ganha importância. Para muitas crianças e adolescentes, encontrar um espaço no qual possam ser ouvidos e reconhecidos pode influenciar diretamente sua trajetória.
“É muito importante que o aluno saiba que existe alguém disposto a ouvi-lo. Às vezes, uma conversa, um espaço de escuta ou simplesmente perceber que alguém se importa pode fazer uma diferença enorme”, observa Giselle.
As famílias também fazem parte desse processo. A equipe procura manter proximidade com pais e responsáveis, considerando que o desenvolvimento de crianças e jovens está diretamente relacionado às relações estabelecidas fora do Instituto.
Quatro polos, um mesmo propósito
A presença do Ciranda em quatro polos coloca a equipe diante de comunidades com características, necessidades e desafios distintos. Para o trabalho psicossocial, reconhecer essas diferenças é fundamental.
“Cada polo tem sua própria realidade. Não podemos olhar para todos os lugares da mesma maneira. Precisamos conhecer a comunidade, compreender suas características e estar atentos às necessidades de cada grupo. Nosso trabalho também é construir pontes entre o Instituto, as famílias e a comunidade”, explica Giselle.
Essa proximidade ajuda a fortalecer a atuação social da instituição e faz com que as ações sejam pensadas de acordo com as particularidades de cada território.
No fim, a música funciona como ponto de encontro. Ao aprender um instrumento, integrar uma orquestra ou participar de uma atividade coletiva, o estudante também aprende sobre compromisso, respeito, cooperação e cidadania.
“Acreditamos que formar um músico também é formar uma pessoa. E, para formar uma pessoa, precisamos cuidar, escutar, orientar e criar oportunidades para que ela desenvolva todo o seu potencial”, afirma Giselle.
Ao lado de professores, educadores e demais profissionais, Giselle Queiroz, Cinthia Mattos e Lara Simone ajudam a construir uma proposta na qual cultura, educação, cidadania e cuidado caminham juntos.
Mais do que formar músicos, o Instituto Ciranda busca ampliar horizontes. Porque uma nota pode iniciar uma melodia, mas, quando encontra educação, acolhimento e oportunidade, também pode marcar o começo de uma nova trajetória.



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