
Sem a possibilidade de conduzir uma campanha nos mesmos moldes de seus adversários, Vanderson Alves Nunes, conhecido politicamente como Vandinho Patriota, tenta chegar à Assembleia Legislativa de Mato Grosso em uma disputa marcada por restrições judiciais e pelo apoio público de aliados que assumiram a tarefa de divulgar seu nome pelo estado.
Candidato a deputado estadual pelo Partido Novo, com o número 30122, Vandinho Patriota disputa a eleição sob medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento domiciliar no período noturno e aos finais de semana e restrições relacionadas às redes sociais. As medidas estão vinculadas ao processo referente aos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
As limitações criaram uma situação incomum na campanha eleitoral. Enquanto candidatos percorrem municípios, participam de reuniões, utilizam as redes sociais e ampliam suas agendas pelo estado, Vandinho Patriota passou a contar também com uma rede de apoiadores para fazer sua mensagem chegar a outras regiões de Mato Grosso.
Essa mobilização ganhou também um símbolo visual. Apoiadores têm utilizado um totem com a imagem de Vandinho Patriota vestindo uma camisa verde, com os dizeres “Meu Coração é Patriota” e a estampa da bandeira do Brasil. Sobre a boca, uma fita representa o impedimento de se comunicar livremente, acompanhada da mensagem “Seja a minha voz”, frase que passou a sintetizar a estratégia adotada por quem decidiu levar o nome do candidato a diferentes municípios.
E alguns desses apoiadores decidiram transformar essa limitação no centro de suas manifestações públicas.
O deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL), por exemplo, gravou um vídeo declarando que seria “a voz de Vandinho” durante a eleição.
“Ele não pode falar. [...] E eu serei a voz do Vandinho nessa eleição”, afirmou Medeiros.
Ao longo da gravação, o parlamentar faz duras críticas às decisões do ministro Alexandre de Moraes e questiona as restrições impostas ao candidato. As manifestações representam a posição política de Medeiros sobre o caso e não contradizem as determinações judiciais em vigor.
No encerramento, ele direciona o apelo aos apoiadores. “Seja você também a voz do Vandinho aí no seu município”, declarou.
A mesma expressão começou a aparecer em outros vídeos de apoio e tornou-se uma espécie de fio condutor dessa campanha atípica: se o próprio candidato encontra limitações para circular e utilizar plataformas abertas, aliados passam a divulgar seu nome e defender suas posições.
Entre eles está o empresário e candidato a deputado federal Tiago Boava, conhecido nas redes pelo bordão “Ei, Roy! Macacos me mordam, Roy!”. Em vídeo, ele afirma que Vandinho está com a liberdade “cerceada” e defende que o candidato tenha a oportunidade de chegar à Assembleia Legislativa.
“Ele é candidato. E você tem a oportunidade de dar uma oportunidade pro Vandinho estar na Assembleia, contando da sua história e lutando por tantas injustiças que ele viu acontecer com tantos outros assim como ele”, disse Boava.
O empresário Odílio Balbinotti (PL), primeiro suplente na chapa de José Medeiros na disputa pelo Senado, também aderiu publicamente à mobilização.
“Ele vai atrás do voto do mesmo jeito. E vai contar comigo, porque eu vou ajudar ele”, afirmou.
Balbinotti também fez críticas ao cenário institucional brasileiro e classificou as restrições impostas a Vandinho como um problema para o exercício de sua campanha. Em outro momento da gravação, repetiu a frase utilizada pelos demais apoiadores: “Eu sou a voz de Vandinho Patriota”.
As manifestações ajudam a formar uma rede de divulgação em torno de uma candidatura submetida a limitações incomuns nesta eleição. Em vez de depender exclusivamente da presença física do candidato, parte da circulação de sua mensagem ocorre por meio de apoiadores que decidiram gravar vídeos, compartilhar conteúdos, utilizar o totem da campanha e apresentar seu nome em diferentes regiões de Mato Grosso.
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