
Depois de enfrentar um primeiro semestre inteiro abaixo da linha de confiança, o empresariado do comércio de Cuiabá voltou a respirar com otimismo. É o que aponta o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de julho, que registrou um avanço de 4,9% e alcançou 105,4 pontos, consolidando a segunda alta consecutiva do indicador na capital mato-grossense. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o índice marcou 104,5 pontos, o crescimento é de 0,9%. O levantamento é realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisado localmente pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), utilizando uma escala de zero a 200 pontos, em que os 100 pontos funcionam como a linha divisória entre a insatisfação e a satisfação no setor.
Para o presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves (Tião da Zaeli), o comportamento do indicador mostra que a confiança do comércio cuiabano se fortalece de forma gradual, impulsionada principalmente pelo calendário do segundo semestre. Segundo ele, a melhora expressiva na percepção sobre as condições atuais demonstra que os comerciantes passaram a avaliar de forma mais positiva o desempenho dos próprios negócios, visto que as datas comemorativas ajudam a alavancar o faturamento. Apesar desse fôlego nas vendas locais, o presidente ressalta que o ambiente macroeconômico ainda impõe cautela, influenciado por fatores desfavoráveis da economia nacional.
Esse cenário gera um contraste nítido entre a visão sobre o país e a realidade interna das empresas. Enquanto o pessimismo segue elevado em relação à economia brasileira, com 43,8% dos entrevistados avaliando que as condições nacionais pioraram muito, o cenário dentro dos estabelecimentos é de otimismo. Entre os empresários, 44,8% afirmaram que as condições da própria empresa melhoraram um pouco e 23,3% disseram que melhoraram muito, elevando esse subíndice para 120,0 pontos.
O reflexo direto dessa guinada positiva no ambiente interno aparece nas projeções de contratações e novos aportes financeiros. No campo das expectativas, o índice passou de 120,5 pontos em junho para 124,1 pontos em julho. De olho nas demandas sazonais, 57,3% dos empresários pretendem ampliar o quadro de funcionários, o que resultou em um indicador de 122,5 pontos. Além disso, o Nível de Investimento da Empresa subiu de 98,1 para 101,8 pontos, cruzando novamente a linha dos 100 pontos, marca que não era atingida desde novembro do ano passado e que, para a Federação, sinaliza o retorno da disposição do varejo cuiabano em injetar recursos e apostar na atividade comercial.
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