
Por trás de cada audiência judicial, presencial ou virtual, existe uma estrutura tecnológica que precisa funcionar sem interrupções. Da conexão à internet aos equipamentos instalados nas salas, uma falha pode comprometer o andamento dos trabalhos e o atendimento à população. Foi com esse olhar que a diretora de Projetos do Grupo Stelmat, Lumara Lobo, ministrou a palestra “Infraestrutura que não pode parar: do data center à sala de audiência”, durante o 1º INFRACOM-JT – Encontro de Infraestrutura Computacional e Comunicação de Dados da Justiça do Trabalho, realizado nos dias 20 e 21 de outubro de 2026, em Cuiabá.
Organizado pela Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicações do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-MT), o encontro reuniu profissionais e gestores de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da Justiça do Trabalho. Considerado um importante fórum de integração institucional, o evento promoveu a troca de experiências, a disseminação de conhecimentos e o debate sobre soluções inovadoras para a transformação digital do Judiciário.
A programação foi direcionada especialmente a integrantes de comitês, secretários, diretores, autoridades e profissionais responsáveis pelas áreas tecnológicas dos tribunais. Entre os temas debatidos estiveram infraestrutura computacional, redes, telecomunicações, segurança da informação e governança de TIC, com foco no fortalecimento da cooperação entre os órgãos e no aprimoramento dos serviços que sustentam a prestação jurisdicional.
Durante sua apresentação, Lumara chamou a atenção para uma etapa fundamental da transformação digital: a integração entre equipamentos, redes, sistemas de segurança e profissionais responsáveis por manter toda essa estrutura em funcionamento. A especialista destacou que, embora assuntos como inteligência artificial, computação em nuvem e trabalho remoto estejam cada vez mais presentes nos debates sobre inovação, a infraestrutura que sustenta essas tecnologias nem sempre recebe a mesma atenção.
“Hoje se fala muito em data center, nuvem, acessos remotos e usuários em teletrabalho. Discutem-se os tipos de hardware e as plataformas que serão utilizadas, mas a infraestrutura, que é fundamental para tudo isso funcionar, muitas vezes acaba ficando fora do debate. Por isso, preferimos abordar o tema desde o data center até a sala de audiência”, explicou Lumara.
A diretora ressaltou que a realização de uma audiência depende de uma cadeia de recursos interligados, que envolve servidores, switches, redes Wi-Fi, cabeamento, sistemas de monitoramento e equipes técnicas qualificadas. Segundo ela, não basta adquirir equipamentos modernos se não houver planejamento, integração e processos adequados para garantir a continuidade dos serviços.
“Para que uma audiência aconteça, é necessário ter um bom data center, uma rede estruturada, conectividade e profissionais preparados para fazer a implantação. Tudo precisa seguir processos e estar adequado à realidade de cada instituição. Quando pensamos no serviço que chega ao cidadão, precisamos olhar para toda a infraestrutura que existe por trás dele”, afirmou.
Entre os assuntos apresentados estiveram as redes Fabric, que permitem integrar e segmentar diferentes serviços, e o conceito de segurança Zero Trust, baseado na verificação contínua dos acessos. Lumara também abordou o uso da inteligência artificial na gestão de redes, a automação de processos e as soluções de monitoramento capazes de identificar falhas antes que elas afetem os usuários.
Outro destaque foi o Golden Eyes, plataforma desenvolvida pelo Laboratório de Inovação da Stelmat. A tecnologia reúne informações sobre o funcionamento dos equipamentos e serviços, emite alertas e auxilia as equipes técnicas na identificação de problemas, contribuindo para uma atuação preventiva.
A apresentação contemplou ainda a infraestrutura física, com destaque para o cabeamento estruturado inteligente, em que cada conexão é documentada e monitorada em tempo real e a retirada de um cabo sem ordem de serviço gera alerta imediato, reduzindo paradas causadas por erro humano. Lumara apresentou também alternativas de salas técnicas para unidades judiciais de diferentes portes, desde racks autônomos e micro data centers até salas técnicas modulares e data centers em contêiner. Também foram demonstradas possibilidades de utilização de câmeras inteligentes de 360 graus e ferramentas de comunicação para audiências híbridas, ampliando as condições de participação presencial e remota.
Experiência de 42 anos em infraestrutura tecnológica
Com sede em Cuiabá e atuação em diferentes regiões do país, a Stelmat acumula 42 anos de experiência no desenvolvimento, implantação e operação de projetos tecnológicos. Fundada em 1984, a empresa acompanhou a evolução do setor, passando dos sistemas de telex e telefonia corporativa às redes inteligentes, soluções de segurança e aplicações de inteligência artificial.


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