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O custo invisível de fazer negócios no Brasil

Instituições fortes não são assunto apenas para juristas discutirem em Brasília. São parte da infraestrutura econômica de um país. Empresas investem quando conseguem calcular riscos. E isso exige regras claras, previsíveis e, principalmente, iguais.

11/09/2026 às 15h08
Por: Redação Fonte: Da Redação
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Da assessoria
Da assessoria

Quem administra uma empresa sabe calcular imposto, salário, juros, aluguel, energia e matéria-prima. Mas existe um custo muito mais difícil de colocar numa planilha: o custo de fazer negócios em um ambiente onde nem sempre se sabe se a regra vale igualmente para todos.

Os acontecimentos dos últimos dias trouxeram essa discussão novamente para a mesa. Não pretendo aqui julgar pessoas, antecipar responsabilidades ou transformar esta coluna em debate político. Isso cabe às instituições apurar.

O que me interessa é outra coisa. Como um empresário consegue crescer de maneira extraordinariamente rápida e, paralelamente, construir trânsito por alguns dos espaços mais importantes de decisão do Estado?

Relacionamento faz parte dos negócios. Sempre fez. Eu, particularmente, acredito muito nele. O problema começa quando ninguém consegue mais distinguir networking de influência e influência de privilégio.

Existe capital financeiro, capital humano e capital tecnológico. Em ambientes institucionais frágeis, parece surgir uma quarta modalidade: o capital de acesso.

E isso deveria preocupar qualquer empresário. Quando relacionamento passa a valer mais que regra, o empresário deixa de competir apenas por eficiência. Passa a competir também por acesso.

Imagine dois empresários disputando o mesmo mercado. Um investe em pessoas, gestão, tecnologia, produto e produtividade. O outro, além disso, consegue chegar aos lugares onde decisões são tomadas, regras são interpretadas e problemas podem ser encaminhados.

Ainda estamos falando apenas de competição empresarial?

A OCDE vem alertando que corrupção e outras práticas contrárias à integridade não prejudicam apenas os cofres públicos. Elas reduzem produtividade, investimento e competição e, talvez o mais grave, corroem a confiança nas instituições.

É aí que aparece um Custo Brasil sobre o qual falamos pouco: o custo da desconfiança. Ele não vem num boleto. Aparece no investimento que não acontece, no contrato que exige mais garantias, no capital que cobra mais pelo risco e no empresário que começa a se perguntar se fazer melhor é suficiente.

Talvez esse seja o dano mais profundo de um ambiente assim. A mensagem silenciosa de que competência talvez não seja suficiente. vInstituições fortes não são assunto apenas para juristas discutirem em Brasília. São parte da infraestrutura econômica de um país. Empresas investem quando conseguem calcular riscos. E isso exige regras claras, previsíveis e, principalmente, iguais.

Um país que deseja empresários dispostos a arriscar precisa oferecer algo básico em troca: regras nas quais eles possam confiar.

 

Eduardo Mello

Advogado, negociador e

especialista em reestruturação empresarial

@adv_eduardomello

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