
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, defendeu nesta segunda-feira (27) que todos os 142 municípios do estado tenham ao menos um restaurante popular com refeições a R$ 2,00. A proposta, que será incluída no Plano de Metas Mato Grosso 2050, foi detalhada durante uma visita ao Restaurante Popular de Cuiabá, onde ele almoçou ao lado dos frequentadores. Durante a ocasião, o conselheiro consumiu o cardápio do dia — composto por arroz, feijão, cozido de carne com mandioca, guisado de abobrinha, salada, sobremesa e suco — para ilustrar a importância do serviço. Ele alertou que o estado possui cerca de 500 mil pessoas abaixo da linha da pobreza e ressaltou que a iniciativa visa garantir que ninguém passe fome em Mato Grosso.
Segundo o planejamento, o número de restaurantes seria proporcional ao porte e à demanda de cada cidade. Cuiabá, por exemplo, receberia seis unidades, enquanto Várzea Grande, Sinop e Nova Mutum teriam quatro cada, e Rondonópolis, três. Sérgio Ricardo lembrou que, apesar de serem municípios com grande geração de riquezas, ainda abrigam pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar. Para viabilizar essa expansão, o projeto propõe que o custeio seja dividido entre o Governo do Estado e as prefeituras, ficando a maior parte a cargo do Executivo Estadual. Além disso, o abastecimento de ingredientes seria feito diretamente pela agricultura familiar, replicando o modelo de sucesso já utilizado no fornecimento da merenda escolar.
A defesa por uma rede de restaurantes a preços acessíveis é uma pauta histórica do conselheiro. A iniciativa começou a ser articulada em 2006, durante seu mandato como deputado estadual, quando viajou a São Paulo e ao Rio de Janeiro para conhecer as unidades que, na época, cobravam R$ 1,00 pela refeição. De volta a Mato Grosso, sua cobrança junto aos gestores públicos resultou na inauguração do primeiro restaurante popular do estado, na capital, seguido posteriormente por uma unidade em Várzea Grande.
O presidente do TCE-MT enfatizou que, embora obras de infraestrutura sejam importantes, a prioridade máxima de qualquer governo deve ser erradicar a fome da população.
O impacto social do serviço é sentido de perto por quem o utiliza, a exemplo de Tereza Cordeiro, moradora do bairro Altos da Serra. Ela costuma recorrer à unidade nos dias em que não pode cozinhar em casa e destacou que, com apenas dois reais, dificilmente se consegue comprar até mesmo um café no comércio convencional, aproveitando para pedir a instalação de um restaurante na região do CPA.
Durante o encontro, lideranças políticas também aproveitaram para sugerir melhorias. A vereadora Baixinha Giraldelli sugeriu a ampliação do funcionamento para o horário do jantar e defendeu a criação de incentivos fiscais para que supermercados doem alimentos aptos para consumo que seriam descartados, reduzindo o desperdício.
A integração da pauta com o desenvolvimento econômico também foi debatida. O vereador Dilemário Alencar cobrou que os futuros candidatos ao governo estadual assumam o compromisso de criar mais unidades e destacou o potencial de geração de empregos ao conectar os restaurantes à produção local. Atualmente, o Restaurante Popular de Cuiabá, pioneiro no estado e localizado na rua Barão de Melgaço, serve em média 900 refeições diárias a R$ 2,00.
A unidade funciona de segunda a sexta-feira, das 11h às 14h, e tem seus custos subsidiados integralmente pela Prefeitura da Capital para manter o valor acessível à população.
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