
O setor florestal de Mato Grosso esteve em evidência no congresso Florestar 2025, promovido pela Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), realizado nesta quinta-feira (28), na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT). O evento reuniu mais de 250 participantes, entre produtores, pesquisadores, empresários e autoridades, destacando a importância estratégica do reflorestamento para a diversificação econômica e sustentabilidade do agronegócio no Estado.
Na abertura do evento, o presidente da Arefloresta, Clair Bariviera, fez um resgate histórico do setor florestal no Norte de Mato Grosso, ressaltando os desafios enfrentados pelos primeiros produtores. “Muitos pioneiros tiveram decepções e precisam ser resgatados. Hoje, temos um mercado com preços atrativos e boas expectativas de demanda”, afirmou, evidenciando os avanços conquistados ao longo dos anos.
Bariviera também destacou que o crescimento do setor depende da superação de desafios como o acesso ao crédito, investimentos em genética e uma maior integração entre os produtores. “Mais que ouvir, é hora de participar e compartilhar novas ideias”, enfatizou, reforçando a necessidade de ações colaborativas para o avanço do setor.
Desafios e investimentos no setor florestal
O vice-presidente da Arefloresta, Glauber Silveira, abordou o grande potencial de expansão das áreas para florestas plantadas em Mato Grosso, mas destacou as dificuldades enfrentadas pelos produtores, como os altos custos de implantação. “Para plantar 100 hectares, o investimento gira em torno de R$ 1,5 milhão, sendo R$ 800 mil no primeiro ano. Além disso, a colheita só ocorre após seis anos”, explicou, alertando para a necessidade de planejamento a longo prazo.
O superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, também se pronunciou sobre o crescimento do setor, destacando a sua consolidação como alternativa de investimento e fornecimento para diversas cadeias industriais. “A biomassa e a madeira processada serão cada vez mais demandadas por indústrias de diferentes portes, e o reflorestamento precisa estar preparado para atender esse movimento”, avaliou, apontando para o enorme potencial de expansão do setor florestal.
Reflorestamento como solução para diferentes setores industriais
O empresário e produtor de floresta plantada Haroldo Klein, sócio da KLM Florestais, ressaltou a importância do reflorestamento para o futuro da indústria madeireira e de outros setores. “Hoje, parte significativa da demanda industrial é atendida com biomassa da floresta nativa. A floresta plantada é fundamental não só para a indústria madeireira, mas também para processos térmicos em setores diversos, como lavanderias, pizzarias e fábricas. Precisamos ampliar a área plantada para garantir a sustentabilidade da cadeia”, afirmou Klein, alertando para a necessidade de expandir as áreas de reflorestamento.
Iniciativas para o aumento da produtividade
Representando o governo de Mato Grosso, a secretária-adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia da Sedec, Linacis Lisboa, apresentou algumas iniciativas que visam aumentar a produtividade do eucalipto no Estado. Dentre as ações, destacou um estudo desenvolvido em parceria com a Embrapa e a Arefloresta para validar clones de eucalipto adaptados a diferentes condições climáticas de Mato Grosso. “Esse trabalho será decisivo para elevar a competitividade do setor, trazendo ganhos de produtividade e eficiência”, explicou a secretária-adjunta.
Patrocínios e parcerias
O Florestar 2025 contou com o patrocínio do Governo de Mato Grosso, Sedec, Senar-MT, Inpasa, Casa do Adubo, CM Florestal, ICL Florestas, Flora Sinop, Ralyza e Ziane Florestal, reforçando a união de esforços entre o setor público e privado para promover o crescimento e a sustentabilidade do setor florestal mato-grossense.
O evento consolidou-se como uma importante plataforma para debater os desafios e as oportunidades do setor, mostrando que, com o avanço das práticas de reflorestamento e a ampliação das áreas plantadas, Mato Grosso pode se tornar ainda mais relevante no cenário nacional e internacional, contribuindo para a sustentabilidade da economia agropecuária.
Mín. 23° Máx. 36°