
O cooperativismo mato-grossense movimentou R$ 56,05 bilhões em ingressos e receitas em 2025 e esteve associado à mobilização de R$ 75,26 bilhões em produção dentro de Mato Grosso e R$ 100,28 bilhões em todo o Brasil. Os dados fazem parte do estudo Impactos do Cooperativismo na Economia de Mato Grosso, elaborado pelo Observatório do Cooperativismo de Mato Grosso, em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), a partir de demanda do Sistema OCB/MT, e apresentado em um evento nesta segunda-feira (28), em Cuiabá.
Além do estudo de impacto econômico, o evento marcou o lançamento do Anuário do Cooperativismo Mato-grossense 2026, publicação que reúne os principais dados oficiais do setor e apresenta um panorama da evolução do cooperativismo no estado.
Para o presidente do Sistema OCB/MT, Nelson Piccoli, os indicadores mostram a dimensão alcançada pelo movimento cooperativista no estado.
“O cooperativismo está presente em diferentes setores da economia e em diferentes regiões de Mato Grosso. Esses números mostram a dimensão que o movimento alcançou e, principalmente, a sua capacidade de gerar oportunidades e movimentar a economia. O nosso compromisso é continuar fortalecendo as cooperativas para que elas possam ampliar sua atuação, gerar benefícios aos cooperados e contribuir cada vez mais para o desenvolvimento das comunidades onde estão inseridas.”
A pesquisa do Observatório em parceria com a FIPE também estima que a atividade das cooperativas esteve associada à mobilização de 376,8 mil empregos formais e informais, diretos e indiretos, em Mato Grosso, além de R$ 37,15 bilhões em valor adicionado, R$ 2,88 bilhões em arrecadação de impostos e R$ 12,48 bilhões em massa salarial no estado.
Os resultados foram calculados por meio de uma Matriz Insumo-Produto, metodologia que permite mensurar os efeitos diretos e indiretos da atividade das cooperativas sobre diferentes setores da economia. Para cada R$ 1,00 de demanda mobilizada pelo cooperativismo, o estudo estima R$ 1,34 em produção dentro do estado. Em relação ao emprego, cada R$ 1 milhão de demanda está associado a 8,58 postos de trabalho formais e informais no país, dos quais 6,72 estão em Mato Grosso.
Para o superintendente do Sistema OCB/MT, Frederico Azevedo, os números ajudam a dimensionar o cooperativismo para além da atuação das próprias organizações.
“O estudo da FIPE nos permite enxergar, com dados e metodologia técnica, uma dimensão que muitas vezes não aparece quando olhamos apenas para os resultados individuais das cooperativas. A atividade cooperativista movimenta fornecedores, serviços, empregos, renda e arrecadação e estabelece conexões com diferentes setores da economia. Mostrar essa dimensão é importante para que Mato Grosso reconheça cada vez mais o cooperativismo como parte da sua dinâmica de desenvolvimento.”
Presença das cooperativas está associada a diferenciais nos municípios
O estudo também utilizou uma segunda metodologia econométrica para analisar as trajetórias socioeconômicas de municípios com e sem presença de cooperativas.
A análise considerou mais de 30 variáveis relacionadas a atividade econômica, trabalho e renda, arrecadação, comércio exterior, agropecuária, indicadores sociais e educação. Os resultados identificaram diferenciais associados à presença de cooperativas em diferentes indicadores econômicos.
Nos municípios analisados, a presença cooperativista esteve associada a um diferencial estimado de R$ 14,2 mil no PIB por habitante, 64,9 empregos formais adicionais por mil habitantes, R$ 300,20 a mais em massa salarial por habitante e R$ 206,20 em arrecadação municipal por habitante. Também foram identificados diferenciais de US$ 7.250 em exportações por habitante e de US$ 7.156 no saldo comercial por habitante.
Na educação, os municípios com presença cooperativista apresentaram diferencial de 3,9 pontos percentuais na taxa de aprovação da 3ª série do Ensino Médio e de 2,1 matrículas no Ensino Superior por mil habitantes. Nos indicadores sociais analisados, o estudo identificou menor incidência de famílias no Cadastro Único e beneficiárias do Bolsa Família nesses municípios.
A gerente de Desenvolvimento e Inteligência de Cooperativas do Sistema OCB/MT, Sâmyla Sousa, destaca que a pesquisa amplia a capacidade do setor de compreender e comunicar seus resultados.
“Ter dados sistematizados e uma análise técnica dessa dimensão nos ajuda a compreender melhor como o cooperativismo se conecta com a economia e com os territórios. O estudo não olha apenas para dentro das cooperativas, ele evidencia os encadeamentos com outras atividades e identifica diferenciais nos municípios onde existe presença cooperativista. É uma base importante para orientar estratégias, fortalecer a tomada de decisão e dar visibilidade à contribuição do cooperativismo para Mato Grosso.”
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