
O Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT) realiza, de 22 a 25 de setembro, no Paiaguás Palace Hotel, em Cuiabá, treinamento do Grupo Especial de Emergência Zoossanitária (GEEZ). A capacitação reúne 42 médicos-veterinários das 14 unidades regionais do Instituto, além de profissionais da unidade central e do laboratório, entre eles associados da Associação dos Fiscais Estaduais de Defesa Agropecuária e Florestal de Mato Grosso (SINFA-MT). A iniciativa busca fortalecer a preparação das equipes para uma eventual emergência zoossanitária, com foco na organização e coordenação da resposta desde os primeiros momentos.
A programação conta ainda com a participação de representantes da Superintendência Federal de Agricultura em Mato Grosso (SFA-MT/Mapa) e aborda fundamentos das emergências zoossanitárias, planos nacionais de emergência e a aplicação do Manual Estadual de Atendimento a Emergências Zoossanitárias.
Um dos principais pontos do treinamento é o Exercício de Gabinete – Emergências Zoossanitárias: Primeiras 72 horas, desenvolvido para avaliar e aperfeiçoar a capacidade dos integrantes do GEEZ de organizar, dimensionar, planejar e coordenar a resposta inicial diante de uma ocorrência sanitária. O exercício trabalha a tomada de decisões e a definição das primeiras ações necessárias para conter e eliminar um evento no menor tempo e espaço territorial possíveis.
De acordo com a médica-veterinária e fiscal agropecuária do INDEA-MT, Daniella Bueno, a preparação antecipada é fundamental para que os profissionais consigam atuar de forma coordenada diante de uma situação real de emergência zoossanitária.
“Uma emergência zoossanitária exige muito mais do que conhecimento técnico. É preciso saber organizar equipes, dimensionar recursos, estabelecer prioridades, tomar decisões e integrar todas as áreas envolvidas. O treinamento prepara os profissionais justamente para que, diante de uma emergência, essa resposta comece de forma rápida, organizada e coordenada desde os primeiros momentos”, destacou Daniella.
Simulação das primeiras 72 horas - Durante o exercício, os participantes são divididos em equipes que trabalham com quatro cenários: febre aftosa, peste suína clássica e influenza aviária em estabelecimento comercial e em criação de subsistência. Cada grupo recebe um cenário que pode evoluir ao longo da atividade e precisa estruturar a resposta utilizando informações, sistemas, relatórios, mapas e bases de dados disponíveis.
A dinâmica prioriza competências como liderança, definição de responsabilidades, priorização das ações, tomada de decisão, trabalho em equipe, dimensionamento de recursos e capacidade de adaptação diante do surgimento de novas informações. Os participantes também exercitam a transformação dos dados disponíveis em decisões operacionais, considerando fatores como número de propriedades e animais, distribuição espacial, características produtivas, vias de acesso e vínculos relacionados à movimentação animal.
Segundo Daniella, reunir profissionais de todas as regionais contribui para padronizar procedimentos e consolidar uma mesma lógica de atuação em todo o estado.
“Quando uma emergência acontece, dificilmente uma única unidade consegue responder sozinha. Precisamos mobilizar pessoas de diferentes regiões e áreas. Ao treinarmos juntos, fortalecemos uma linguagem comum e a compreensão das responsabilidades de cada equipe, o que torna a resposta mais integrada e eficiente”, explicou.
Para o presidente do SINFA-MT, Valney Souza Corrêa, a capacitação reforça a importância da qualificação permanente dos servidores que atuam diretamente na proteção da sanidade animal de Mato Grosso.
“A preparação dos profissionais é uma das bases de uma defesa agropecuária forte. Investir em treinamento significa oferecer condições para que os servidores estejam preparados para agir com segurança, conhecimento técnico e organização em situações que exigem respostas rápidas. O SINFA-MT reconhece e valoriza o trabalho desses profissionais, que têm papel essencial na proteção do rebanho, das cadeias produtivas e da economia de Mato Grosso”, afirmou Valney.
A proposta do exercício não é reproduzir uma investigação de campo, mas treinar especificamente a capacidade inicial de resposta do GEEZ diante da declaração de uma emergência sanitária e as medidas necessárias para conter a disseminação de uma doença. Assim, o treinamento busca fazer com que procedimentos, planos de contingência e conhecimento técnico estejam previamente incorporados à atuação dos gestores antes que uma situação real exija a mobilização da estrutura de defesa agropecuária.
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