
O custo da cesta básica em Lucas do Rio Verde apresentou redução em agosto, mas continua comprometendo quase 60% do salário mínimo do trabalhador. Os dados fazem parte do projeto “Cesta Básica x Salário Mínimo”, desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisa Aplicada à Comunidade (NUPAC), do Centro Universitário La Salle, em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Lucas do Rio Verde (CDL Lucas).
Os resultados referentes aos meses de julho e agosto foram apresentados durante uma live realizada pela CDL Lucas na sexta-feira (18), reunindo representantes da entidade e da instituição de ensino para discutir o comportamento dos preços, as diferenças encontradas entre os bairros e o impacto da alimentação no orçamento das famílias.
Em julho, o custo médio da cesta básica chegou a R$ 795,08, alta de R$ 14,22 em relação ao levantamento anterior, quando o valor médio havia sido de R$ 780,86. Já em agosto, a média recuou para R$ 764,06, uma redução de R$ 31,02, equivalente a 3,9%.
Apesar da queda registrada em agosto, o levantamento mostra que o custo dos alimentos continua representando uma parcela significativa da renda do trabalhador. Considerando o salário mínimo vigente de R$ 1.621,00, a cesta básica representou 59,7% da renda em julho e 58,6% em agosto.
Diferença entre bairros chama atenção
Um dos pontos destacados pelo estudo é a diferença de preços encontrada entre os estabelecimentos pesquisados. O levantamento foi realizado em oito pontos de venda de diferentes regiões do município.
Em julho, o maior valor registrado foi no bairro Bandeirantes, onde a cesta chegou a R$ 968,40. No Centro, o levantamento apontou o menor valor, de R$ 686,76.
Em agosto, a diferença permaneceu expressiva. O maior valor novamente foi identificado no Bandeirantes, com R$ 950,19, enquanto no Centro o custo ficou em R$ 703,25. No bairro Alvorada, promoções contribuíram para a redução dos preços de alguns produtos.
Os demais bairros pesquisados, como Parque das Emas, Jardim Primavera e Jardim das Palmeiras, apresentaram valores intermediários.
Para a CDL Lucas, o acompanhamento dessas diferenças contribui para ampliar o acesso da população à informação e estimular o consumidor a pesquisar antes de realizar as compras.
“Esse levantamento nos ajuda a entender, com dados da nossa realidade, como o preço dos alimentos impacta diretamente o orçamento das famílias. A informação também fortalece o consumidor na hora de pesquisar e escolher onde comprar,” pontua o presidente da CDL Lucas, Petronilio de Souza.
Quanto o trabalhador precisa ganhar?
Outro indicador apresentado durante a live é o chamado salário mínimo necessário, calculado a partir da relação entre o custo da cesta e as demais despesas essenciais de uma família.
Em julho, foram necessárias 131,4 horas de trabalho para adquirir a cesta básica mais cara registrada no levantamento. O cálculo apontou que o salário mínimo ideal seria de R$ 8.135,51, aproximadamente cinco vezes o salário mínimo vigente.
Em agosto, com a redução do custo médio, o número caiu para 128,9 horas de trabalho, enquanto o salário mínimo necessário foi estimado em R$ 7.982,52, cerca de 4,9 vezes o valor oficial.
O estudo considera despesas essenciais como alimentação, moradia, saúde, educação e transporte, seguindo a metodologia utilizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
Pesquisa ajuda a compreender comportamento dos preços
Durante a apresentação, também foi destacado que a variação mensal da cesta não significa necessariamente uma redução estrutural dos custos. Produtos perecíveis, principalmente hortifrúti, apresentam oscilações importantes e promoções pontuais podem influenciar diretamente o resultado de determinado mês.
Ao mesmo tempo, itens como pão francês e óleo de soja apresentam comportamento mais rígido, contribuindo para manter uma base elevada de custos da cesta.
O acompanhamento mensal permite, dessa forma, observar não apenas o preço final, mas também os fatores que influenciam as oscilações e as diferenças existentes entre os estabelecimentos.
Para o professor Rafael Zunino, do Unilasalle, parceiro da CDL Lucas na realização do projeto, a pesquisa aproxima a produção acadêmica da realidade econômica vivenciada pela comunidade.
“A gente tem feito sempre essa coleta de dados mensalmente e faz essa análise a cada dois meses. A expectativa é exatamente fazer essa entrega do resultado para que a gente possa ver como que está evoluindo ao longo do ano. É importante acompanhar, à medida que o ano vai passando, essa evolução ao longo do período”, assinalou.
Informação para fortalecer o consumidor
A iniciativa também reforça o papel da CDL Lucas na geração e disseminação de informações relacionadas ao comércio e à economia local. Ao acompanhar a evolução dos preços, o projeto permite identificar tendências e oferece ao consumidor uma referência para avaliar o custo dos produtos em diferentes regiões da cidade.
Para a entidade, a pesquisa também contribui para ampliar o diálogo entre comércio, academia, consumidores e poder público, a partir de dados produzidos especificamente sobre a realidade de Lucas do Rio Verde.
“Como o professor mencionou (na live), o trabalhador luverdense é dependente das condições de safra, logística e margens imprevisíveis nos perecíveis. Não adianta só ver o número, é importante analisar o que está acontecendo por trás disso. Tem questão de sazonalidade, do preço do óleo diesel, entre outros fatores que impactam”, disse Robson Alex, diretor de Eventos e de Comunicação da CDL Lucas.
A CDL Lucas e o Unilasalle devem manter o acompanhamento periódico dos preços, permitindo observar como o custo da cesta básica se comporta ao longo dos próximos meses e qual é o impacto dessas oscilações sobre o poder de compra do trabalhador luverdense.
Mais do que apontar o preço dos alimentos, o projeto busca criar uma série histórica sobre o custo de vida no município e contribuir para que a população tenha acesso a informações que auxiliem na tomada de decisões e na compreensão da realidade econômica local.
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