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Dia da Árvore: arborização dos municípios de Mato Grosso também é questão de saúde

Uma árvore na calçada, portanto, representa mais do que sombra. Significa melhores condições para uma criança chegar à escola, para um idoso caminhar pelo bairro ou para um trabalhador esperar o transporte coletivo. Arborização também é infraestrutura urbana e deve ser tratada como tal.

21/09/2026 às 14h08 Atualizada em 21/09/2026 às 23h14
Por: Redação Fonte: Da assessoria
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Por Dr. Walid Khalil

Médico e candidato a deputado estadual por Mato Grosso pelo NOVO

Em Mato Grosso, falar de arborização urbana não pode ser apenas uma lembrança no Dia da Árvore. Em um estado marcado por períodos prolongados de calor intenso, preservar e ampliar a presença de árvores nas cidades precisa fazer parte do planejamento urbano e das políticas voltadas à saúde e à qualidade de vida.

Como médico, aprendi a olhar para a saúde além do consultório. O ambiente onde as pessoas vivem, trabalham, caminham e estudam também interfere no bem-estar. Áreas verdes ajudam a amenizar o calor, contribuem para espaços urbanos mais agradáveis e estimulam a ocupação de ruas, praças e outros locais públicos.

Uma árvore na calçada, portanto, representa mais do que sombra. Significa melhores condições para uma criança chegar à escola, para um idoso caminhar pelo bairro ou para um trabalhador esperar o transporte coletivo. Arborização também é infraestrutura urbana e deve ser tratada como tal.

Mato Grosso já possui instrumentos legais nessa área. A Lei Estadual nº 11.376/2021 criou o Programa Raízes de Mato Grosso, voltado à implantação e preservação da arborização em áreas públicas. Em 2024, a Lei nº 12.704 instituiu o Programa de Reflorestamento Urbano em Cuiabá e Várzea Grande, com medidas relacionadas ao plantio, recuperação de áreas degradadas, educação ambiental e possibilidade de criação de viveiros municipais em parceria com o Estado.

O desafio é fazer com que as leis sejam acompanhadas de planejamento, recursos, execução e avaliação de resultados.

É nesse sentido que defendo a estruturação de um Plano Estadual de Arborização Urbana, dentro das competências do Estado e em cooperação com as prefeituras. A proposta é estabelecer diagnóstico, metas, prioridades regionais, critérios técnicos, previsão de recursos e mecanismos transparentes de acompanhamento.

Precisamos saber onde estão os bairros com menor cobertura vegetal, quais áreas estão mais expostas ao calor, qual é a capacidade dos viveiros existentes e quais espécies são adequadas a cada região. Sem planejamento, corremos o risco de limitar a arborização a ações pontuais de plantio.

E plantar uma muda é apenas o começo. É necessário prever manutenção, irrigação nos períodos adequados, proteção e acompanhamento. A escolha das espécies também deve considerar calçadas, acessibilidade, redes elétricas e o espaço necessário para o desenvolvimento das raízes.

Outro ponto é fortalecer os viveiros existentes e ampliar a produção regional de mudas onde houver necessidade, priorizando espécies nativas adequadas ao ambiente urbano. Estados, municípios, universidades e instituições de pesquisa podem atuar de forma integrada, oferecendo orientação técnica e contribuindo para projetos mais eficientes.

Na Assembleia Legislativa, essa agenda pode ser fortalecida por meio da discussão orçamentária, da destinação de emendas dentro das regras aplicáveis, da fiscalização das políticas existentes e do aperfeiçoamento da legislação estadual.

Escolas, unidades de saúde, praças, pontos de ônibus e trajetos de acesso aos serviços públicos devem estar entre as prioridades, principalmente nas regiões urbanas com menor presença de árvores.

Também considero fundamental avaliar os resultados. O poder público não deve informar apenas quantas mudas foram plantadas, mas quantas sobreviveram, onde estão e de que maneira estão contribuindo para ampliar a cobertura vegetal das cidades. É assim que se mede a efetividade de uma política pública.

O Plano Nacional de Arborização Urbana estabelece diretrizes para que o tema seja tratado de maneira permanente no país. Mato Grosso precisa aproveitar esse movimento para estruturar projetos, buscar recursos e oferecer apoio técnico aos municípios, respeitando as características e necessidades de cada região.

Neste 21 de setembro, Dia da Árvore, mais do que celebrar, precisamos pensar no futuro das nossas cidades. Como médico, vejo a arborização também pela perspectiva da saúde. Como candidato a deputado estadual, proponho transformar essa preocupação em planejamento, fiscalização e cooperação com os municípios.

Cuidar das árvores é também cuidar das pessoas. E investir em cidades mais verdes significa criar melhores condições para viver, circular e conviver.

 

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