
Sentir cólicas incapacitantes, dor durante a relação sexual ou problemas intestinais durante o período menstrual não é "normal", nem "coisa de mulher". Esses são os sintomas clássicos de uma doença inflamatória crônica que atinge cerca de 176 milhões de mulheres no mundo e mais de 7 milhões somente no Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Estamos falando da Endometriose. Apesar dos números alarmantes, uma estatística preocupa ainda mais os especialistas: o tempo médio entre o primeiro sintoma e o diagnóstico definitivo varia de 7 a 10 anos.
Neste Março Amarelo, mês mundial de conscientização sobre a doença, o médico radiologista Dr. Eduardo de Lamare, referência em Diagnóstico por Imagem em Mato Grosso, levanta um debate necessário: a invalidação da dor feminina.
Com mais de 20 mil mapeamentos de endometriose realizados em sua carreira, o especialista da Clínica Eladium aponta que o atraso no diagnóstico não ocorre por falta de médicos, mas por falta de investigação adequada.
"É coisa da sua cabeça"
Para Dr. Eduardo, o principal obstáculo que a paciente enfrenta é cultural. "A mulher é ensinada desde cedo que sentir dor é normal. Quando ela reclama, ouve que é 'frescura' ou 'estresse'. Isso cria um ciclo de silenciamento. A paciente passa anos fazendo exames de rotina que não mostram nada, e começa a acreditar que o problema é psicológico", explica o médico.
Enquanto a dor é ignorada, a doença avança. A endometriose ocorre quando o tecido que reveste o útero (endométrio) cresce em outros órgãos, como ovários, intestino, bexiga e ligamentos, causando inflamação severa, aderências e, em muitos casos, infertilidade.
A Tecnologia contra o "Escuro"
Se a doença é tão comum, por que é tão difícil de ver? Segundo o especialista, o problema está na ferramenta utilizada. O ultrassom pélvico simples, muitas vezes não consegue visualizar os focos profundos da doença.
"A endometriose é como um iceberg. O ultrassom comum vê a ponta (como um cisto no ovário), mas a parte perigosa, que infiltra nervos e intestino, exige um exame específico: o Mapeamento de Endometriose com Preparo Intestinal", detalha Dr. Eduardo de Lamare.
O especialista ressalta que o preparo intestinal (limpeza do intestino antes do exame) é crucial para retirar gases e resíduos que funcionam como uma "cortina de fumaça", permitindo que o médico visualize lesões milimétricas. "O diagnóstico preciso é o mapa que guia o cirurgião. Sem ele, a paciente pode passar por uma cirurgia incompleta e continuar com dor", alerta.
Impacto na Fertilidade e Economia
Além da dor física, a doença tem um custo social alto. Estima-se que cerca de 30% a 50% das mulheres com endometriose enfrentam dificuldades para engravidar. A inflamação crônica e a obstrução das trompas são as principais causas.
"Recebo muitas pacientes tentantes que perderam anos preciosos de sua reserva ovariana porque ninguém investigou a endometriose antes. O diagnóstico precoce não serve apenas para tirar a dor, serve para preservar o sonho da maternidade", afirma Dr. Eduardo.
No mercado de trabalho, o impacto também é mensurável. O absenteísmo (faltas) e o presenteísmo (trabalhar com dor e baixa produtividade) geram prejuízos bilionários à economia global, além de afetarem a ascensão profissional da mulher.
O Caminho da Cura
O Março Amarelo serve como um alerta: dor que impede a vida rotineira exige investigação especializada. "A mensagem que queremos deixar é de acolhimento. A dor da paciente é real, é biológica e tem tratamento. O diagnóstico é o primeiro passo para devolver a qualidade de vida a essas 7 milhões de brasileiras", finaliza o médico.
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BOX: 5 Sinais de Alerta da Endometriose
Se você tem dois ou mais sintomas, procure um especialista:
1. Cólica incapacitante: Que não passa com remédios comuns e impede atividades diárias.
2. Dispareunia: Dor profunda durante a relação sexual.
3. Alterações Intestinais: Dor para evacuar, diarreia ou sangramento retal durante a menstruação.
4. Sintomas Urinários: Dor ao urinar no período menstrual.
5. Infertilidade: Dificuldade para engravidar após 6 a 12 meses de tentativas.
Sobre a Fonte: Dr. Eduardo de Lamare é médico radiologista especialista em Diagnóstico por Imagem, com foco em Saúde da Mulher e Endometriose. Com mais de 20 mil diagnósticos realizados, atua na Clínica Eladium, em Cuiabá (MT), referência em tecnologia e acolhimento para a saúde feminina.
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