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Setembro Amarelo: A vitrine ou o compromisso real com a saúde mental?

A especialista aponta que falar sobre saúde mental vai muito além de um simples “procure ajuda” ou “seja forte”. O problema é estrutural e muito mais complexo do que isso.

10/09/2025 às 11h40 Atualizada em 10/09/2025 às 16h19
Por: Redação Fonte: Cristina Cavaleiro\Da Redação
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Arquivo pessoal
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Todo ano, o mês de setembro se pinta de amarelo. As redes sociais se inundam com corações, frases de apoio e, claro, o já clássico "você não está sozinho". Um movimento que visa conscientizar sobre a prevenção ao suicídio e a importância de falar abertamente sobre saúde mental. Mas, após tantos anos de campanha, a pergunta que permanece é: isso realmente funciona? Ou estamos apenas realizando ações pontuais, mais voltadas para o marketing do que para a solução do problema?

Para Giselle Queiroz, psicóloga clínica e organizacional, essa "vitrine" de setembro esconde questões muito mais profundas. "O Setembro Amarelo nasceu com um propósito valioso: falar sobre saúde mental e prevenir o suicídio. Contudo, o que começou como uma conversa séria, profunda e necessária, acabou se transformando em algo superficial, quase publicitário", analisa. A campanha, que deveria ser um movimento de longo prazo, infelizmente ainda se resume a postagens de engajamento, onde o protagonismo é dado a frases prontas, logo de empresas e ações limitadas ao mês de setembro.

A especialista aponta que falar sobre saúde mental vai muito além de um simples "procure ajuda" ou "seja forte". O problema é estrutural e muito mais complexo do que isso. "Ainda existe um grande preconceito, falta de investimento público e, muitas vezes, um total descaso nas empresas, escolas e até dentro de casa. Muitas pessoas não têm acesso ao suporte necessário e, muitas vezes, não sabem nem por onde começar a buscar ajuda", afirma Queiroz.

Ela destaca que o mais importante, além de falar, é ouvir de verdade. "Campanhas como o Setembro Amarelo são válidas, mas não podem se limitar a um post no Facebook e instagram,  ou uma logomarca alterada. Elas precisam se transformar em políticas públicas eficazes, em um real acesso à terapia, em um compromisso com a educação emocional e, acima de tudo, com a escuta empática e humanizada", defende a psicóloga.

Giselle também critica a forma como o Setembro Amarelo se transforma em uma ação isolada, um ponto de destaque durante um mês e depois esquecido até o ano seguinte. "Se é para pintar o mês de amarelo, que seja para iluminar de verdade. Que seja uma luz para um caminho contínuo de cuidado e atenção, não apenas uma vitrine que se apaga quando o mês acaba", pontua.

A psicóloga faz um apelo para que a saúde mental seja tratada de forma permanente. "Saúde mental é todo dia. Prevenção não se faz com frases soltas ou com um laço colorido. Ela se constrói com acesso real ao cuidado, com escuta ativa, com empatia e coragem para enfrentar a realidade difícil de muitos. O que realmente importa não é o laço que você está usando, mas sim uma fita   humanizada”, aquele que trata com verdade e demonstra o cuidado genuíno", finaliza.

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