
A cesta básica em Cuiabá iniciou setembro com uma alta de 0,73%, atingindo o valor médio de R$ 796,58 na primeira semana do mês. Embora o preço ainda esteja abaixo da marca dos R$ 800, o valor atual é 8,67% maior do que o registrado no mesmo período de 2024, quando a cesta básica custava R$ 733,01. Esse aumento reflete o impacto contínuo da inflação, especialmente no setor alimentício, e a redução do poder de compra da população.
José Wenceslau de Souza Júnior, presidente da Fecomércio-MT, destacou que, embora o custo da cesta básica permaneça abaixo dos R$ 800, a disparada nos preços de itens essenciais reflete uma preocupação crescente. “A lista de produtos apresenta um valor muito superior no comparativo anual, evidenciando que a inflação dos alimentos continua corroendo a renda das famílias. Além disso, fatores climáticos e estruturais impactam fortemente os preços, reforçando a vulnerabilidade do consumidor”, afirmou.
Entre os produtos que mais sofreram aumentos nos primeiros dias de setembro, o destaque vai para o tomate, com uma alta expressiva de 5,44%, passando a custar R$ 6,83 por quilo. Em comparação com o mesmo período de 2024, o aumento é ainda mais significativo: 55,31%. Segundo o Instituto de Pesquisa da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), essa alta está relacionada à desaceleração na maturação do tomate nas principais regiões produtoras, o que impactou diretamente a quantidade disponível no mercado e, consequentemente, os preços.
Outro alimento que apresentou um aumento considerável foi a batata, que subiu 5,41%, com o valor médio de R$ 3,70 por quilo. Apesar de boas perspectivas de safra, o aumento pode ser atribuído a problemas logísticos no transporte ou à qualidade do produto que chega ao varejo.
O óleo de soja também registrou alta de 2,74%, com o preço da embalagem de 900 ml chegando a R$ 8,61. Em relação ao ano passado, o produto está 15,41% mais caro. De acordo com o IPF-MT, essa elevação pode ser explicada pela maior demanda, tanto para a produção de biocombustíveis voltados para o mercado externo quanto para o consumo interno.
Wenceslau Júnior acrescentou que o cenário de alta nos preços no curto prazo é contrastado por um panorama anual, no qual alguns itens da cesta básica apresentaram variações opostas. "O tomate e o óleo de soja acumulam altas expressivas frente a 2024, enquanto a batata, em sentido oposto, apresenta queda superior a 50%", comentou.
O atual cenário de preços elevados continua a afetar o bolso do consumidor, com um impacto significativo na capacidade de compra das famílias cuiabanas. O aumento nos preços dos alimentos reflete não apenas a inflação, mas também questões externas, como os efeitos climáticos e logísticos, que continuam a pressionar os custos, tornando a situação ainda mais desafiadora para os moradores da capital mato-grossense.
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