
O fortalecimento do papel das mulheres indígenas nos territórios de Mato Grosso tem sido uma das prioridades do Programa REM MT (REDD Early Movers), que vem apoiando iniciativas voltadas ao artesanato e à comunicação como formas de empoderamento e valorização cultural. Duas dessas ações já geram impactos concretos entre os povos indígenas do estado.
Uma delas é o projeto "Joias e Saberes da Floresta", desenvolvido desde 2022 e que já alcançou 39 aldeias nos territórios Erikbaktsa, Japuíra e Escondido, beneficiando cerca de 600 indígenas. A proposta é valorizar o artesanato indígena, utilizando sementes, conchas e outros materiais naturais como matéria-prima para a produção de joias e adornos.
A artesã e presidente da Associação Indígena das Mulheres Rikbaktsa (Aimurik), Lucinete Wukda Rikbaktatsa, conta que o projeto proporcionou uma verdadeira transformação no cotidiano das artesãs. “Esse projeto foi muito bom, muito interessante. Quando recebemos o recurso, conseguimos comprar barcos, motores e maquininhas para fazer artesanato. Antes era muito difícil coletar os materiais, as mulheres iam de canoa e passavam mais de uma semana na beira do rio. Agora, com os barcos, tudo ficou mais fácil”, relatou Lucinete.
Além de equipamentos e logística, o projeto ofereceu oficinas e organizou expedições para potencializar a produção artesanal de forma sustentável, respeitando os modos de vida tradicionais.
Outra iniciativa de destaque foi a Oficina de Comunicação e Mídias Sociais para Mulheres Indígenas, que reuniu participantes de 19 etnias com idades diversas. Elas aprenderam a editar fotos e vídeos, a utilizar as redes sociais de maneira estratégica e a produzir entrevistas, criando conteúdos próprios sobre suas culturas, vivências e lutas.
A jovem Belua Txutere Karajá, da etnia Karajá, participou da oficina e destaca a mudança em sua vida. “Eu gostei muito porque ajuda os povos a mostrar nas redes sociais a forma que a gente vive, a nossa luta. Conheci colegas, fizemos entrevistas juntos. O curso me ensinou a editar, gravar e entrevistar. Mudou a minha vida”, afirmou.
Como resultado da oficina, foi criada uma cartilha digital com orientações e exemplos de conteúdos produzidos pelas próprias participantes, disponível no site do Programa REM MT.
Essas ações fazem parte da primeira fase do REM MT, uma premiação dos governos da Alemanha e do Reino Unido, por meio do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), ao Estado de Mato Grosso pelos resultados na redução do desmatamento. O programa apoia projetos que promovem a conservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.
Na Fase I, foram 157 projetos apoiados, beneficiando 144 organizações sociais, incluindo 114 associações ou cooperativas. Os impactos se espalham pelos três biomas do estado — Amazônia, Cerrado e Pantanal — com destaque para as 603 aldeias atendidas, que reúnem 43 povos indígenas, além dos 107 municípios beneficiados e mais de 35 mil pessoas alcançadas.
Graças ao REM MT, mais de 160 mil hectares de desmatamento foram evitados entre 2021 e 2022, evidenciando como o investimento em iniciativas locais e no protagonismo das comunidades pode gerar benefícios sociais, culturais e ambientais duradouros.

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